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[Boa Vista, RR] George Silva de Souza tem 41 anos, é suboficial da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, e desde 1992 se autodenomina “o atleta da fé”. Segundo ele, Deus o chamou para um ministério especial: anunciar a volta de Jesus, correndo pelo mundo. E como na Missão Global há espaço para todos, desde que iniciou essa maratona, após sua conversão, já fez várias corridas dando seu testemunho nas igrejas e à imprensa.
Além de trabalhar como mecânico de voo, há vários anos George se dedica ao atletismo. Atualmente, o militar é capaz de correr até 100 km em um único dia, pedalar mais de 200 quilômetros e nadar dez quilômetros, pois Deus operou um “milagre biológico”, como ele afirma.
George nasceu em Areia Branca, Rio Grande do Norte, tem 41 anos e é formado pela Escola de Educação Física do Exército. Sua esposa se chama Francisca e seus filhos, Gregori e Glendali. O George Silva deu início ao Projeto Atlanta 2010 em 2009. O projeto é parte do grande alvo missionário do atleta: dar a volta ao mundo correndo e pedalando para anunciar a volta de Jesus e os benefícios de um estilo de vida saudável. O projeto consiste em correr e pedalar do Brasil até Atlanta, nos Estados Unidos, num total de quase 14 mil quilômetros. George saiu de Boa Vista (capital do estado do Roraima) no dia 13 e pretende chegar a Atlanta no dia 18 de junho, data que coincidirá com a realização da 59ª Sessão da Conferência Geral (reunião mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, realizada a cada cinco anos).
No Brasil, ele já percorreu mais de 21 mil quilômetros (e registrou tudo no livro Conquistando o Brasil, da Casa Publicadora Brasileira), e em quatro meses fez 8.200 km por países sul-americanos. Sua conversão, contada nesta entrevista concedida ao jornalista Michelson Borges, está relacionada a essa atividade.
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Desde minha adolescência até os 32 anos eu vinha pedindo um sinal a Deus. Eu queria encontrar o caminho verdadeiro e por quatro anos visitei muitas denominações, sem me sentir satisfeito. Fiz então um desafio a Deus: se Ele realmente existisse e quisesse me salvar, mandaria alguém à minha casa para me convidar a ir a Sua igreja.
Uma semana depois, em abril de 1992, a irmã Ira, uma colportora [vendedora de livros religiosos e de saúde], foi à nossa casa e ofereceu estudos bíblicos à minha esposa, que aceitou. Eu não estava em casa e já havia até me esquecido do desafio feito a Deus. Quando soube dos estudos, disse à minha esposa que se ela quisesse fazer os estudos, que fizesse sozinha, pois eu não estava interessado. Durante três meses minha esposa estudou com aquela irmã. Como eu resisti ao chamado de Deus, Ele acabou usando outra forma de me abrir os olhos.
E como foi isso?
Eu trabalhava na Base Aérea de Porto Velho, em Rondônia, e representava a Base em provas de 10 km. Por isso costumava correr todas as manhãs por um trecho deserto na Floresta Amazônica. Numa dessas manhãs, antes mesmo de o sol raiar, na parte mais fechada da mata, tive uma sensação estranha. Minhas pernas fraquejaram e não consegui mais correr. Era como se algo me segurasse. Nesse instante tudo ficou em silêncio completo e, quase desesperado, ouvi uma frase numa voz alta e clara, que parecia vir de todos os lados: “Filho, tu que corres aqui todas as manhãs e que buscas a glória pessoal, Eu te escolhi para que saias pelo mundo, da mesma maneira como fazes agora, correndo, e vás anunciar que o Meu Filho Jesus em breve virá!”
Assustado, olhei para as árvores em volta, mas não havia ninguém ali. Só havia uma explicação: o Deus que eu desafiara falara comigo e sabia que correr era meu dom e minha vaidade. Depois de ouvir aquilo, caí de joelhos e chorei como nunca, pedindo perdão e perguntando quem era eu para realizar aquele pedido divino. Mas senti a presença de Deus comigo, dando-me coragem.
Voltei para casa pensando no que ia falar para minha esposa. Narrei-lhe a experiência pela qual havia passado e disse que iria deixar meu emprego e correr o mundo para anunciar a volta de Cristo. Fiquei surpreso quando ela, emocionada, disse que, se era mesmo Deus quem estava me chamando, ela aceitava o desafio. Mas me fez ver, também, que seria difícil sairmos pregando sem estar filiados a uma denominação religiosa, pois os missionários costumam ter o apoio de uma igreja. Eu então lhe sugeri que procurássemos a igreja da mãe dela, que é batista.
Antes de irmos ao culto, tive um sonho no qual um anjo me mandava ler Apocalipse 7:3 e 4. Acordei intrigado e procuramos a colportora Ira, já que não tínhamos Bíblia e nem fazíamos idéia do que dizia o Apocalipse. Ela nos explicou que o texto trata do selo que será aplicado sobre os servos de Deus e que Ele estava nos chamando, pois queria que fizéssemos parte de Seu povo.
Eu não entendi nada e nem compreendia o significado da palavra “servo”. Poucos dias depois, fomos à Igreja Batista. No fim do culto, quando fui procurar o pastor para pedir o batismo, soube que ele teve que atender a um compromisso urgente e não poderia falar comigo. Entendi que Deus tinha outros planos para mim.
E como se deu seu contato com a Igreja Adventista?
A irmã Ira havia convidado minha esposa para assistir a um batismo em sua igreja. Minha esposa estendeu o convite a mim, mas eu disse que não queria ir, pois achava que a Igreja Adventista nem existia, ou era um grupo estranho e inexpressivo. Como eu poderia sair mundo afora pregando em nome de uma igreja que, eu achava, nem existia? Ela insistiu e eu estabeleci uma condição: que se fosse feito um apelo no culto nós permaneceríamos imóveis.
Quando entramos na igreja, logo ao passar pela porta, senti algo interessante: parecia que eu estava em um lugar familiar; me senti à vontade e em paz. Quando visitava outras igrejas, costumava sentar-me bem no fundo. Desta vez, fui lá para a frente da igreja. O pastor começou a pregar e eu fiquei surpreso, pois o assunto era a volta de Jesus, a mensagem que eu fora convidado a anunciar! Quando o pastor fez o apelo para que mais pessoas aceitassem a Jesus, eu fui o primeiro a levantar a mão, seguido por minha esposa, surpresa.
Ganhei uma Bíblia e a devorei. E depois de fazer um estudo bíblico fui batizado com minha esposa.
Outras informações sobre esta viagem diferente pode ser vista em http://michelsonentrevistas.blogspot.com/2006/08/correndo-para-jesus.html.

[Equipe ASN, Michelson Borges]
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