
Felipe Lemos
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A primeira impressão de quem participa de uma assembleia mundial, como a da Igreja Adventista do Sétimo Dia, é a de um sentimento de apreensão. Explico. Aqui em Atlanta, nos Estados Unidos, de onde escrevo, estou em um piso superior e posso avistar, neste instante, milhares de pessoas de todos os continentes do planeta reunidos ouvindo uma mensagem fundamentada na Bíblia Sagrada. Da Coreia do Sul até o Chile ou da Noruega à África do Sul, são homens, mulheres e crianças cujas influências regionais moldam, em muito, seu modo de pensar e de crer.
A apreensão vem justamente da sensação de imaginar como toda essa gente, de etnias e expressões culturais tão diferentes e divergentes, pode falar em unidade cristã. Como é possível entender de que maneira se dá esta harmonização em torno de um livro antigo, escrito há tanto tempo como a Bíblia? Conversei com adventistas de Zâmbia, da Nigéria, dos Estados Unidos e de outros países e vi algumas semelhanças. Sim, semelhanças! Mas não por causa da cor da pele, do status social ou da história de seus países. A semelhança estava nos sorrisos e na maneira de demonstrar uma alegria por fazer parte de uma família mundial. Parece clichê, mas não é. É impressionante como uma crença, uma fé, pode fazer com que gente de países tão díspares, exploradores e explorados, esqueçam por algum tempo os hiatos que os separam e olhem para o alto.
A certeza da volta de Jesus Cristo, talvez a mais forte doutrina defendida e ensinada pelos adventistas do sétimo dia, é a esperança que move e que une as pessoas de todas as regiões do mundo. É a tal falada unidade na diversidade. Por mais que aqui neste mundo haja tantas barreiras que os homens mesmos criam para se distanciar, não há como fugir da promessa divina de um mundo perfeito, no futuro próximo, em que estas diferenças não mais existirão. E melhor ainda: nunca mais voltarão a ocorrer segundo esta crença.
Eu fico aqui com a sensação nítida de que, ao menos, enquanto estamos aqui com os pés na terra seria tão bom se sentíssemos um pouco desta quebra de obstáculos agora. Exemplos na Bíblia não faltam. E como uma só família, que tem problemas como qualquer outra, nós, adventistas do sétimo dia, podemos experimentar pelo menos um pouco do gostinho de não termos fronteiras para o amor e a fé genuinamente cristãos. E, como diz o slogan da assembleia mundial adventista, proclamar a glória de Deus.

Felipe Lemos, jornalista da Igreja Adventista na América do Sul
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